O comércio injusto do café
Leiam com atenção (é importante):
« (...)Como bebida, o café depressa se espalhou pelo resto da Europa e, logo de seguida, pela América. Também a sua produção se espalhou por todo o mundo: América Latina, África e Ásia.
Entretanto, já nos tempos modernos, concretamente em 1962, para evitar as oscilações do preço do café, os principais países produtores e importadores), sob o patrocínio da ONU, chegaram ao primeiro Acordo Internacional do Café. Para gerir este acordo e os que se seguiram, foi criada a Organização Internacional do Café (OIC), com sede em Londres. No acordo estabelecia-se um preço indicativo e cada país produtor tinha quotas de exportação (parte proporcional do produto que cada país pode colocar no mercado). Quando o preço indicativo calculado pela Organização Internacional do Café ultrapassava o preço do mercado, as quotas aumentavam; quando era inferior ao preço real, as quotas diminuíam. Se houvesse uma subida muito significativa de preços, as quotas eram abandonadas até se atingir de novo o preço indicativo.
Entretanto, o sistema regulador mantido através de Acordos Internacionais do Café começa a ser minado: disputas acerca das quotas dos países produtores; fragmentação do mercado com o aparecimento de novos países produtores; heterogeneidade dos modelos de desenvolvimento dos países (o Brasil e a Indonésia desenvolvem estratégias de industrialização); aumento do volume de comercialização do café com países não pertencentes à OIC; a alteração, nos anos 80, da situação mundial, com o fim da Guerra Fria, faz com que os EUA alterem a sua política em relação à América Latina, já que o comunismo deixou de ser uma ameaça.
Assim, em 1989 os EUA não assinaram o novo acordo, sob o pretexto dos países produtores estarem a vender através de subterfúgios os seus excedentes a baixo preço, aos países de Leste, que, por sua vez, o colocariam no mercado sob a forma de café torrado, do qual resultariam enormes prejuízos para a indústria da torrefacção que recebia o café, pagando-o a preços estipulados no acordo.
Neste novo contexto, o mercado do café ressentiu-se, originado uma acentuada descida de preços. A média anual desceu de 88.53 USD para 72.86 USD em 1999/2000, uma queda de 17,7%. Em 1997/98 o valor médio anual do preço do café era de 115,23 US.
O vaivém dos preços prejudica muito a vida dos produtores. Nas plantações de café, os principais afectados são jornaleiros (trabalhadores pagos ao dia) que para reduzir custos são imediatamente despedidos. No caso dos pequenos produtores, o preço do café – única fonte de receita - decide coisas tão básicas como se poderão ou não levar os filhos à escola.
Cem milhões de pessoas no hemisfério Sul dependem exclusivamente do cultivo e transformação deste bem para a sua sobrevivência. No Uganda, por exemplo, ¾ da população recebe o seu sustento pelo cultivo e venda do café.»
in
Oikos
Posted by poeiraporai at maio 7, 2004 04:54 PM
A imensidão de coisas que eu não sabia...
Ó tio Maizum, um café curto, por favor e um cinzeiro!
Abraço, WB